GREVE NA UFES + ASSEMBLEIA

Na última quinta-feira foi deflagrada a greve dos professores da Ufes, em consonância com o que deve ocorrer nas universidades federais de todo o país. Hoje, às 13h, cerca de 50 estudantes do curso de Desenho Industrial, incluindo representantes do Cadi, participaram de uma conversa conduzida pelos professores Hugo Cristo e Ana Cláudia Berwanger, que contou também com a participação dos professores Ricardo Esteves, Heliana Pacheco e Maria Regina Rodrigues (da Artes).

Ok. Mas, enquanto estudantes, o que temos a ver com tudo isso?

Durante a conversa, foram apresentadas as decisões tomadas em assembleia pelos professores de toda a universidade, a mesma que aprovou a greve que se iniciará no dia 17. Os pontos de reivindicação internos dos docentes da Ufes podem ser lidos aqui. Após essa apresentação, houve uma discussão produtiva entre os presentes pelas 3 horas que duraram o encontro. A partir da fala dos presentes, destacamos dois movimentos que ocorrem em paralelo:

1) A greve dos professores, que em âmbito nacional  reivindica melhores salários e reestruturação do plano de carreira;

2) A pauta interna do sindicato de professores da Ufes (Adufes), apresentado no link acima e que será encaminhado ao gabinete do reitor;

3) Reivindicação dos alunos e professores enquanto Departamento de Desenho Industrial acerca de melhorias da infraestrutura e condições gerais de estudo.

O DCE/Ufes ainda não tomou uma posição oficial sobre a greve. Nós do Cadi também não o fizemos, pois somos instrumento de representação dos alunos no DI. Dito isso, queremos convocar uma Assembleia  na próxima terça-feira, 15/5 às 13h no pátio do Cemuni. O objetivo é entender a posição dos alunos em relação a greve para que o Cadi possa, na sua função de mediador, repassar esta posição ao departamento.

Como grande parte deve ter lido no facebook, o prof. Hugo Cristo convocou os alunos para essa conversa e pede o apoio de todos para uma greve geral, não apenas dos professores, mas dos alunos e todos aqueles que se sentem incomodados com os problemas da universidade. No caso, o professor pede apoio para um movimento que de fato faça barulho e não seja mais uma greve onde todos ficam de braços cruzados esperando o tempo passar.

Apoiando ou não a greve dos professores; atendendo ou não o chamado em especial do prof. Hugo, a direção do Cadi propõe que todos abracemos o ponto nº3: vamos colocar no papel e lançar na mídia aquilo que enfrentamos de problemas na universidade? Vamos conversar entre nós, estudantes, e trazer os professores e servidores pra perto das nossas conversas? Vamos, todos juntos, tentar construir nossa universidade dos sonhos?

Um documento foi aberto no facebook do Desenho Industrial e todos tem poder de editá-lo. Coloquem ali todos os problemas enxergados por vocês, de preferência em tópicos. Não apaguem nada que os outros escreverem, isso é muito importante. Também existe lá um álbum: postem todas as fotos das coisas estranhas, ruins e problemáticas que vocês vêem. Nós vamos reunir tudo isso e criar um documento único. O prof. Hugo Cristo fez essa proposta e, independente de aderirmos a greve geral, vamos fazer sim barulho pela melhoria das nossas condições de estudo. Na quarta-feira, 16/5 às 13h no pátio do Cemuni4 haverá nova reunião com os professores e todos os alunos interessados, com o objetivo de organizar essas reivindicações e torná-las públicas.

E aí? Quem topa?

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Batalha de playlists

UFES CEMUNI 4 DIA 15 SEXTA-FEIRA 19h

Traga seu mp3, mp4, mp5, mp6, mp7, disquete, Cd, DVD, pen-drive e entre na batalha. Você terá apenas 10 minutos para mostrar a todos o seu refinado gosto musical e a galera irá escolher o melhor Dj que tocará por mais 15 minutos desfrutando seus minutos de fama e triunfo.

Se não quiser discotecar, você pode assistir a vídeos criteriosamente selecionados para serem projetados durante a festa. Assita a uma nostálgica mostra de vídeos de comerciais de tv, desenhos animados, novelas mexicanas, filmes da sessão da tarde, clipes musicais desde a década de 80.

Se não quiser ver os vídeos, você pode também beber umas cervejas com amigos e bater um bom papo.

Se não quiser bater papo, beber, discotecar, assistir aos vídeos fantásticos que serão projetados, melhor ficar em casa arrumando o guarda-roupas!

REUNI: EXPANSÃO OU ESCOLÃO?

Por Marcelo Badaró Mattos (*)
Nos próximos dias, os Conselhos Superiores das 52 Universidades Federais estarão votando a “adesão” das Instituições ao Programa de Reestruturação das Instituições Federais de Ensino Superior, programa criado pelo governo federal, através de decreto presidencial.

Não é simples avaliar o que está em jogo. De um lado, uma proposta de mudança radical dos cursos superiores nas Federais é definida por decreto, sem qualquer debate prévio com a comunidade universitária ou a sociedade.
De outro, uma simulação de debate democrático nas universidades, com a idéia de que a “adesão” ao programa é voluntária. Por que simulação? Porque a chave da proposta é uma chantagem: o governo oferece recursos adicionais para as instituições aderentes, em troca do cumprimento de determinadas “metas”, numa reedição da velha fórmula do contrato de gestão, lançado por Bresser Pereira quando ministro do primeiro mandato de Fernando Henrique. A Autonomia Universitária, princípio garantido pela Constituição de 1988, perdeu-se no caminho.

As metas são o primeiro sinal do que se esconde por trás da proposta, mas é preciso saber compreendê-las. Entre elas, as principais são: dobrar as matrículas nos cursos de graduação; elevar a taxa de conclusão para 90% e estabelecer uma relação professor-aluno de 1:18, tudo em cinco anos. A princípio, tudo de bom. Quem pode ser contra expandir as vagas e diminuir a evasão. A verdade, porém, é que tais indicadores são absurdos. Uma taxa de conclusão de 90% não existe sequer nos países de desenvolvimento industrial avançado (a média da OCDE é de 70%). Já a relação professor aluno de 1:18 (a média atual é de cerca de 1:14,5), considerando-se a existência de professores em atividades administrativas e de disciplinas práticas com limitações técnicas que exigem número reduzido de alunos (pensemos numa turma de prática de neurocirurgia, por exemplo, e avaliemos se ela pode ter mais de três alunos), significa na prática que as turmas da maioria dos cursos, especialmente as dos primeiros períodos, terão média superior a 70 estudantes, e não há sequer salas de aula suficientemente grandes para isso. Como o Decreto supõe que as Universidades possam chegar a cumprir tais metas?

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